A rotina

Era 7h45 de uma segunda-feira de verão. Acabara de sair de casa, atrasada, por conta da noite preguiçosa de domingo. Havia dormido mais que o normal, e como explica a lei de Murphy, quanto mais ela dormia, mais sono teria, e assim, sucessivamente.

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Ao caminhar pela rua, olhava nas vitrines das lojas para arrumar o cabelo e tentar desamassar o rosto. Era 7h58 e ela ainda estava longe. De repente, o celular toca e o desespero: procurar o aparelho em meio a tanta bagunça de uma bolsa que não havia existido durante o final de semana.

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Enfim, depois de seis toques, ela atende.

Era ele!

Essa tal de bina eletrônica é desagradável, mas um tanto quanto eficiente no quesito coração. Com sorriso no rosto, ela ouve um singelo: ‘Bom dia meu amor!’

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Há pouco haviam tomado café juntos, mas como ele não escapava a regra, ligara para desejar um bom dia de trabalho. Ainda que rotineira, as ligações diárias eram sempre surpreendentes, fosse pelo horário, pelo tom da voz ou pela frase que a fazia feliz todas as manhãs. Nada daquilo era cansativo. Pelo contrário, ela jamais imaginou encontrar um homem capaz de fazer todos os dias a mesmas coisas sem perder o encanto e a magia.

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Eram poucas as palavras ditas, mas o suficiente para deixá-la feliz ao longo do dia, independente dos problemas. Logo mais, ao final do expediente, ela volta para a casa, com flores nas mãos para enfeitar a sala e novos incensos com essência de maçã-verde – a preferida dele.

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Já no seu melhor refúgio, ela prepara a mesa, com pães e café com leite. No mesmo instante, vem à cabeça a música do primeiro encontro; ‘eu cuidarei do seu jantar, do céu e do mar, e de você e de mim’. Bendito Nando Reis, pensara!

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Enquanto a vida no mar não vinha, eles eram felizes na cidade. E ainda que a buzina dos carros a incomodasse para dormir, a alegria era estar ao lado dele.

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O relógio apontou 19h15.

Ela, deitada na sala, lendo as páginas de um novo livro, soltou aquele sorriso bobo, que ninguém poderia ver, mas só ela poderia sentir.

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Ouvia os passos, ele estava chegando...

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E nunca, em toda a sua vida, o barulho das chaves na maçaneta faria tanto sentido.

Era ele sim, o homem que entrara em sua vida, mudando as cores do cotidiano e transformando a rotina em um parque de diversões.

Como vocês já devem ter percebido, o blog está de cara nova! (grazaaadeos!)

Toda essa lindeza foi por conta da Kellen, minha eterna personal bloguer, já que eu só sei reclamar e dar palpite. Para dizer que não fiz nada, passei minhas idéias pra Kellen e dei umas retocadas finais (coisa pouca)!
Juro que queria entender de tecnologia e saber fazer sozinha essas mudanças (um dia eu aprendo).
Por enquanto, deixo por conta da Kellen, que além de ser uma super querida, é uma blogueira fantástica!

Bem, é isso amores!
Bom final de semana e como dizem os regueiros... PAZ E BEM!
:*

Tomara


Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinícius de Moraes

.Viva.

Li um texto no blog da Mica que me fez refletir absurdamente sobre relacionamentos e todo esse mundo confuso referente a sentimentos (inclua sorrisos, lágrimas e afins). Ela escreveu: ‘A gente e a nossa competência de complicar o não complicado’.
Assino em baixo Mica!

Temos SIM a mania de sempre querer complicar TUDO. Talvez porque seja mais gostoso, mais prazeroso o ‘esperar’, o ‘buscar’, o ‘correr atrás’. Mas aí eu pergunto: Por quê? Para quê?
Se a resposta for sexo, lhe garanto: Ele não será melhor ou pior hoje ou daqui 3 meses. A diferença estará no ego da mocinha que segurou (com o perdão da palavra), sua ‘pirikits’ e do homem que se acha ‘o cara’ por ter conseguido agüentar os três meses. (Viva o senhor fodástico, que de foda não tem nada).
Mas se a sua resposta for o ‘amor’, tenho algumas opiniões formadas.
Em particular nunca gostei de esperar. Sempre quis tudo pra ontem (o que algumas vezes é até um perigo e tomo isso como um defeito).
No entanto, não sou louca, nem psicopata e acredito que o amor possa nascer hoje, na troca de palavras, na conversa e no carinho... como pode nascer daqui a anos, quando você se pega pensando nele, e percebe toda a diferença que ele faz em sua vida.

Então meus amores, para que complicar o NÃO complicado? Porque enrolar alguém quando não se quer nada com aquela pessoa? Porque iludir com falsas promessas e até juras de amor?
É simples (não digo delicado, mas simples) dizer que o interesse é carnal e não emocional. É mais honesto dizer a verdade sempre (mamãe já ensinou isso, lembram?)

Tão mais simples fechar os olhos sem pensar no amanhã. Tão tão tão simples dar ouvidos ao que diz seu coração. Tão simples esquecer do mundo por um dia e beijar loucamente aquela que certamente mudará sua vida.

Então, minha dica é essa: não espere!
Pare com desculpas, fantasias, ilusões.
Pare de achar problemas e viva HOJE sem complicações.

No meu mundo do faz de conta
Até o diabo virou amigo.

Neste mundo de idas e vindas, sem eira bem beira
Sou mais a estrela do que a lua cheia.

E quando descubro meus erros, percebo que eles são tão menores do que os seus
Quando meu olhar falou mais alto, o teu ficou mudo
E aquela sensação gostosa talvez tenha se apagado
Ou ficado escondida no menor lugar

Deixa a tristeza passar
Deixa a felicidade voltar
E meu sorriso não será apenas um sonho

No alto estágio de uma consciência tão leve, foi lá e fez.
E pensando nas consequências que aquilo a causaria.
Simplesmente sorriu.

Dá-lhe cinema nacional!


Foz do Iguaçu está debaixo d'agua. Durante toda esta semana, fortes temporais atingiram a fronteira e mais uma vez, causaram estragos enormes em muitos bairros.
Realmente, a situação tá feia, e pela previsão, a chuva continua nos próximos dias.
Com chuva, preguiça e pouca disposição para conversas, resolvi aproveitar o sábado para ver alguns filmes.

Comecei com 'Verônica', um filme brasileiro de Maurício Farias, com Aldréa Beltrão, Marco Ricca e Matheus de Sá. O filme conta a história da professora Verônica, uma mulher guerreira e incansável, que trava uma luta contra o tráfico do Rio de Janeiro para proteger seu aluno, o pequeno Leandro. Pelo desejo de justiça, ela encara o perigo, o medo e as trapaças para defender a vida de uma criança injustiçada pelo crime.

Pelo atual momento em que vive o Rio de Janeiro (e dá-lhe Olimpiadas!), vale a pena assistir Verônica, e acreditar, pelo menos, que o cinema nacional, vai muito bem obrigado. Ao contrário do que anda acontecendo nesse nosso brasil (com letra minúscula).

Bom sábado, bons filmes e boas coisas!

O café da padaria

As flores finalmente estavam nascendo no jardim. Depois de tanta chuva e dias tristes, elas começaram a desabrochar, assim como o próprio coração, que estava calmo e feliz. Era tempo de esperar e construir os sonhos pouco a pouco. Ela não estava sozinha. Ele estava ali, ao lado, puro de sentimentos e desejos. Disposto, a junto com ela, dar início a uma nova vida e cuidar das florzinhas que ali brotavam.
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Mais um dia chegava, e como todas as manhãs, ela se trocava para ir ao trabalho. Já vestida - com o coração na boca e a felicidade estampada no rosto - passava pela padaria para levar seu pãozinho com manteiga e o café com leite até o trabalho
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O velho hábito logo daria lugar a uma nova rotina. Ela não mais tomaria café da manhã sozinha, e também não pediria as três gotas de adoçante. Ela estaria ao lado dele. Sentiria do quarto o cheiro do café na cozinha. Acordaria cedo para comprar os pães e o deixaria adoçar o café com açúcar.
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Futuramente, e ali, tão perto, todos seus desejos seriam realizados. Eram dois corpos, dois amores que um dia se encontraram. Duas pessoas com pensamentos em comum. Duas vidas.
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O sonho daria lugar a uma linda realidade, regada a boas conversas, inspirações e poesias. Tudo acontecia como previsto. Ainda que ela precisasse tomar café da manhã sozinha, logo eles estariam juntos, dividiriam problemas, felicidades e trocariam infinitos carinhos.
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A semana acabou, as conversas diminuíram, mas o sonho perpetuava. Havia muita coisa a ser feita, a se pensar. Quantas responsabilidades dividiriam estes dois.
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Alguns dias se passaram e ela voltou até a padaria. Naquela quarta feira, ela trocou o pão pela carteira de cigarro e pediu apenas uma xícara de café, preto e amargo. Amargo como a chuva que caia lá fora, deixando novamente as flores murchas. Amargo como a metade de um filme visto um dia antes e o final de um livro de auto-ajuda.

Amargo, pela decepção com o tempo, que fazia ela voltar a padaria, e deixaria ele, sozinho com o próprio açúcar.

Enquanto me pergunto sobre os porquês da existência, vou lá e vivo.
Esqueço do pensamento e parto para a realidade
Aquela sem tantas cores como nos sonhos
Verdadeiramente cruel
E docemente apimentada

Toda esta minha forma de expressão parte de simples princípios
Ninguém nunca me perguntou nada
Eu não precisei dar explicações de nada
Então resgato os dramas, as histórias sem fim, as desilusões amorosas
E o desgaste emocional.

Estranho pensar numa existência em que até agora
Tudo que já foi vivido se transforma num verdadeiro ‘nada’ de coisa nenhuma.
Mais estranho se isso fosse verdade

Mas não é.



Ps. Se não entendeu, nem tente entender. Isso é para mim mesmo.