10 de dez de 2011

Saudade, Caruso!


Cultivei do meu pai o gosto pela música, pelos encontros, pela boa leitura. Era engraçado ver ele chegando em casa com dois livrinhos e duas fitas cassetes em baixo do braço. Como eu já sabia ler, ele pedia pra eu escolher o livro. A Thayná, ficava com a segunda opção, já que ela só poderia mesmo ouvir a história da Branca de Neve ou qualquer que fosse o conto de fadas.

Crescemos um pouco e começamos a frequentar a locadora de vídeos e a banca de jornais com o nosso pai. Era sagrado: Aos sábados, vídeos na PlayHouse e aos domingos, jornais, livros e revistas de colorir na banca do Caruso.

Era assim que se chamava a banca do João Caruso, o dono, e por sinal, amigo do meu pai.
Era ali, na avenida Jk, em que passávamos algumas horas ou alguns minutos do nosso domingo.
Meu pai não tinha pressa e tão pouco se negava a pagar a quantidade de revistas que escolhíamos.
O tempo passou, mas o hábito foi preservado. Meu pai, eu e minha irmã continuávamos a visitar a banca todos os domingos.

Mas então, um dia meu pai nos deixou e alguns anos depois, João Caruso também abandonou a vida aqui na terra. Os dias ficaram cinzas, mudos e os encontros tornaram-se desencontros.
Foi assim durante muito tempo, até percebermos que a saudade não se apaga, assim como a dor nunca cura. O bom é que o tempo nos mostra isso de forma delicada, concisa, inteligente.
Não saimos da história brigados com ele. Pelo contrário, agradecemos aquela existência.

E dessa forma, depois de alguns anos, continuei a frequentar - pouco, confesso - a banca de jornais onde meu pai adorava passar os finais de semana. Estar ali era como estar com ele, relembrar aquele tempo, voltar a minha infância!

E hoje, depois de 37 anos de Caruso, recebo a notícia de que a nossa querida banca fechou as portas. Miriam Machado Caruso tocou o barco sozinha nos últimos anos, e segundo ela, ficou inviável concorrer com a internet e todas as facilidades que ela oferece.

Dona Miriam têm toda razão. Infelizmente, mas ela tem. Sou a jovem-mais-velha deste planeta, e defendo com unhas e dentes a existência dos jornais impressos, revistas, livros. Quero que meus filhos leiam O Globo, A Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Zero Hora, Correio do Povo. Realmente, não sei mais se isso é possível. Por isso mesmo, guardo em casa exemplares de ouro, assim como meu pai fazia com as revistas "sensacionais" dele. Não vendo, não troco e não empreto.

Minha homenagem de hoje é para a Dona Miriam, para o João Caruso, para o meu pai e todos as pessoas que frequentaram essa banca tão amada.

Saudade, Caruso!

3 comentários:

Lalinha Bueno disse...

Nossa amiga, fiquei muito triste em ler isso! Realmente a Caruso fez parte da história de muitas pessoas da cidade, sinto mto que tenha fechado!
Adorei seu texto!
bjos!

ANTONIO disse...

QUE PENA.
GOSTAVA MUITO A VINTE ANOS ATRAZ QUANDO NAO EXISTIA ESSA TECNOLOGIA DE HOJE IR LA E COMPRAR AOS DOMINGOS A VEJA E ISTO É MAIS JORNAIS, GIBIS, QUE PENA...
O MUNDO MUDOU, AS PESSOAS SE VAO, COMO UM DIA IREMOS TAMBEM
ESSE É O TREM DA VIDA...

VEJA ESTE ARTIGO MUITO BONITO
http://www.ceaefoz.org.br/artigos2.htm

ABRAÇOS
ANTONIO

may disse...

sim, lembro também quando ia com os meus pais e comprava revistinhas, livrinhos pra colorir e etc...

saudades mesmo!!