8 de mai de 2011

my first love

Tinha onze anos quando me apaixonei pela primeira vez. Estava na sexta e ele na sétima série da escola. Éramos duas crianças que pegavam nas mãos, trocavam selinhos e passavam horas no telefone. (- Desliga você. - Não, desliga você!).
Passamos pouco mais de um ano como namorados assumidos, mas o primeiro beijo? Ah, esse demorou pra acontecer. Nossos amigos já sabiam que namorávamos, mas nunca tinhamos trocado um beijo de verdade.
Pra mim, o beijo no rosto já era sinal de amor, de respeito. Pra mim, pegar na mão dele já significava tudo. Mas ele não. Como todo bom menino de 13 anos, ele já queria beijar, contar para os amigos. Um dia, fui convidada pra ir ao aniversário da irmã mais nova dele. Já tinha até desconfiado das intenções. Com certeza meu namorado estava planejando me beijar naquele dia. Dito e feito. Em um determinado momento na sala da casa dele, todos os amigos abandonaram o local - ou melhor, arranjaram um esconderijo para espiar nosso primeiro beijo. Pensando como uma menina de onze anos que mal tinha conversado com as amigas sobre o tema em questão, fui logo me afastando e ligando pra minha mãe! Ela me salvou. Mas não por muito tempo.

Fiz doze anos e ele quatorze. Já não tinha mais certeza se era a única na vida dele, mas continuava a receber cartinhas de amor e cartões em datas especiais. Um dia qualquer, ele me convidou para jogar tenis em um clube. Sabia que aquele era o momento. Não tinha mais como escapar. Naquela dia, passei horas na frente do espelho. Queria realmente estar bonita para aquele que era o menino mais lindo e querido da escola. Fui ao clube, não para jogar, apenas para beijá-lo. A essa altura, ja estava decidida. Ou beijava, ou perdia o namorado.

Minutos depois do final do jogo, ele veio ao meu encontro no banco que dava para a frente da quadra. Sem pensar, nos olhamos, e nos beijamos e beijamos e beijamos...
Nada foi mais bonito que aquele momento. Aquele único momento.
Quando paramos de nos beijar, pareciamos dois desconhecidos. Não sabiamos como reagir, como falar... ou não falar. Por um longo tempo, ficamos mudos, olhando pro nada. Éramos dois estranhos vivendo um dia estranho.

Em segundos, meu primo surgiu me chamando para ir embora. Levantei do banco, olhei nos olhos dele e disse adeus. Era realmente nosso primeiro e único beijo. Ele sabia que depois daquele dia,não seriamos mais namorados. Não havia qualquer problema no beijo, o que houve foi a interrupção de um tempo sagrado. Eramos duas crianças. Tinhamos muito o que aproveitar antes de nos tornarmos adolescentes. O beijo tinha sido maravilhoso, mas o nosso amor era muito melhor. O beijo no rosto, o toque das mãos, o perfume e aqueles olhos verdes me olhando eram para as melhores coisas do mundo. E tudo, tudo ficou para tras da noite para o dia.

Depois dele, eu aprendi o que minha mãe sempre disse sobre o tempo: Adiantar a ordem natural dos encontros pode não ser a melhor escolha. Naquele dia não foi.
E sempre que eu penso em correr, páro e lembro dele.
Do meu primeiro amor, que foi intensamente lindo e rapidamente desperdiçado.

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