Uma vez, após muito insistirem as amigas e a manicure, resolvi abrir mão da francesinha e pintar as unhas dos pés de vermelho paixão. Minha manicure avisou que eu demoraria um pouco a me acostumar com a nova cor - já que nos últimos dez anos eu só pintava com cores claras - mas que logo eu acharia linda e jamais trocaria de esmalte.Passado o primeiro dia eu ainda estava crente que aquele não era um bom negócio.
Esperei a previsão da manicure, e nada.
Um, dois, três dias e a cada vez que olhava meus dedinhos acreditava estar vendo o caos! Comecei a usar somente calçado fechado até o próximo encontro para a troca de esmalte. Uma semana! Fim da linha! Não dá, não agüento. Acho feio, estranho e com aspecto de sujo um pé com as unhas pintadas de vermelho. – Esquece Rose! ‘Táca’ o francesinha mesmo!
A situação do esmalte vai na direção da minha doce e confusa rotina.
Resolvi ser a cor vermelha por alguns dias para ver se me adaptava a uma nova forma de ver a vida.
De repente, pensei, era hora de mudar!
Passaram-se os dias e eu continuava como o cachorro que caiu do caminhão de mudança. Onde eu estava e como tinha ido parar ali? Me sentia estranha, diferente, e não era para menos. Aquela NÃO ERA EU.
Depois de muito pensar sobre este mundo cheio de cores, alegrias, angustias pessoas e perguntas, descobri que nem toda a mudança é positiva ou vem para o nosso bem. Às vezes não é a hora ou talvez esta mudança nunca aconteça pelo simples fato de não precisar acontecer. E caso um dia ela precise aparecer, tenho a certeza de que chegará calmamente, como num aconchego de abraço apertado.
E hoje meus amores, eu nasci francesinha!